Garota Fantástica

17 ago

Pôster Whip it!Garota Fantástica é um filme independente interessante. Tem todas as características de um indie para torná-lo bom: personagens problemáticos e loosers – leia-se identificáveis -, uma história simples mas com vários mini-acontecimentos cotidianos super-identificáveis e a Ellen Page, boa atriz e mega-identificável.

No entanto, o filme acaba sendo um pouco raso. Uma característica importante dos filmes independentes que é o uso do (meu, seu, nosso) cotidiano para alcançar uma grande revolução pessoal no personagem principal é muito rasa nesse filme.

Os personagens principais são muito simples, faltou dar-lhes características mais marcantes, mais comuns e emblemáticas. Eles ficaram um pouco genéricos demais, pouco desenvolvidos.

A história em si tem um argumento batido, mas em uma ambientação com potencial: os ringues de patinação competitiva. No entanto, os complicadores da trama são resolvidos de forma muito simples, faltou elaborar um pouco mais.

As cenas no ringue, aliás, são bem interessantes mas eu acho que faltou um pouco de ousadia. Em A Luta pela Esperança, a câmera não só entrou no ringue de box, como levou socos dos atores – tudo para colocar o espectador dentro da ação. Em Garota Fantástica, apesar de algumas imagens que prometem isso, acaba que a maioria das cenas são mesmo de fora da ação. talvez por falta de ousadia mesmo ou por falta de dinheiro – afinal de contas, trata-se de um filme independente – a câmera acabou um pouco mais conservadora do que poderia se imaginar.

No fim, Garota Fantástica termina de forma interessante. É um filme legal de assistir, um possível filme-fetiche para a Elle Page e uma boa estréia para a diretora novata Drew Barrymore. Vale a pena apostar nos próximos filmes dela.

Garota Fantástica [Whip it!]
EUA – 2009
Diretor: Drew Barrymore                                               Roteiro: Shauna Cross
Atores: Ellen Page [Bliss Cavendar], Marcia Gay Harden [Brooke Cavendar], Kristen Wiig [Maggie Mayhem], Drew Barrymore [Smashley Simpson], Juliette Lewis [Iron Maven].
Sinopse: Garota do interior dos EUA, cuja mãe a obriga a participar de concursos de beleza, descobre o mundo dos ringues de patinação competitivos e decide escapar de sua vidinha deslocada através deles.

A Origem

16 ago

Inception Deception PretensionNessa altura do campeonato, acho mais fácil definir A Origem pelo que o filme não é. Ele não é um novo Matrix. Tenta ser um Onze Homens e Um Segredo com um universo diferente e interessante, mas não é. Tenta ser um filme onírico (tipo Brilho Eterno… ou um de David Lynch), todo psicológico e com cenas alucinantes, mas não é.

O que ele é então? Ele é um filme de ação com cenas interessantes e com um argumento mal explorado.

Nolan, como roteirista, é um ótimo diretor. Teve uma ótima idéia, mas o roteiro ficou bruto, faltou lapidar. Se tivesse sido dado a um roteirista melhor, teria sido bem desenvolvido e poderia tornar-se um clássico. Mas, do jeito como ficou, tem uma história frouxa, com várias pontas soltas, personagens com motivações fracas ou inexistentes e o tema onírico mal explorado.

Leo Di Caprio, para mim, parece que nunca saiu de A Praia e continua fazendo o mesmo – salvo um ou duas exceções em sua carreira, geralmente com crédito para o Scorcese. Ellen Page é completamente subaproveitada. Toda a sua personalidade forte é inteiramente ignorada em prol de ser apenas uma celebrity endorsement do filme, uma “Em A Origem, eu confio e assino embaixo”, um rostinho bonito conhecido. O mesmo pode ser dito de Marion Cotillard; ela tentou lutar contra uma personagem mal acabada e se esforçou bastantes, mas, no fim, ficou apenas a imagem de uma mulher histérica – uma injustiça para a atriz e para a personagem.

Acabou que o filme é uma história simples, por vezes previsível e com alguns “truques” batidos para filmes deste gênero (tipo certas coisas não têm explicação porque é um sonho ou a dúvida do final do filme quanto à realidade em que se encontra Cobb). A história é bem apoiada no complicado universo em que se encontra. Apesar de tudo, o filme não cansa. São mais de duas horas direto que passam voando – crédito para o diretor e o editor.

Nolan é um excelente diretor de filmes de ação e teve boas sacadas para deixar todos ligados na telona. A idéia das ações paralelas com passagem de tempo diferentes é ótima – se notar, metade do filme se passa enquanto uma van cai de uma ponte até chegar na água. E a cena de luta no hotel foi muito bem feita.

O editor manteve o ritmo frenético e potencializou a questão das histórias paralelas de forma a ficar confusa com o conceito em si é, mas de fácil compreensão como são as cenas de ação. O truque de deixar a história contada sem respiros, só com ação atrás de ação pode, por vezes, deixar o espectador exausto ao final do filme, mas a montagem do filme ficou bem feita e tudo o que se percebe é que se passaram mais de duas horas de entretenimento sem esforço.

Enfim, é um bom filme-pipoca, mas bem mais raso do que está sendo promovido, na minha opinião.

A Origem [Inception]
EUA, Reino Unido – 2010
Diretor: Christopher Nolan                                               Roteiro: Christopher Nolan
Atores: Leonardo Di Caprio [Cobb], Joseph Gordon-Levitt [Arthur], Ellen Page [Ariadne], Marion Cotillard [Mal], Tom Hardy [Eames], Ken Watanabe [Saito], Cillian Murphy [Robert Fisher], Pete Postlethwaite [Maurice Fisher], Michael Caine [Miles].
Sinopse: Espião industrial especializado em roubo através de sonhos encontra a forma de zerar sua ficha na polícia realizando um trabalho perigoso e nunca antes realizado: plantar uma idéia em alguém.

Sem Destino

1 fev

Sem Destino é um filme que, junto com outros filmes, lançou toda uma era em Hollywood. Ele é cheio de cenas icônicas, frases definidoras e uma trilha sonora marcante.

Tudo isso misturado com uma visão de mundo inovadora na época, os ideais hippie, e um estilo de produção, filmagem e edição europeus, o filme começou uma era de certa liberdade criativa em Hollywood que gerou vários outros clássicos da década de 70.

Particularmente, achei um filme bem atraente ao perceber se tratar de um filme de caubóis modernos, nos seus garanhões de aço, atravessando os EUA em busca de viver uma vida tranquila após juntarem grana o suficiente para se aposentarem vendendo drogas.

Os personagens são bem interessantes, com destaque para o Wyatt “Capitão América” e para George Hanson.

O segundo, personagem de Jack Nicholson, a meu ver, representa a falência do status quo americano da época, dos caretas e suas vidas monótonas, sem sentido de mortos-vivos. Ao mesmo tempo, ele parece querer sair deste limbo para viver uma “vida de cores” ao lado dos dois cavaleiros andarilhos. Nicholson dá um show de interpretação ajudado pelas ótimas falas do roteiro que cabiam ao seu personagem.

Peter Fonda interpreta o icônico Capitão América. Ele é o novo homem ideal americano. Continua loiro, alto, queixo quadrado com covinhas e sorriso encantador. Ao mesmo tempo, é o novo caubói dos novos tempos: presa pela liberdade, não se envolve em confusão e quer viver a vida plenamente.

E o final alucinatório em Nova Orleans seguido de um fim brusco e violento, creio que mostra o momento porque passavam os jovens nos EUA, da expansão da consciência através das drogas e da reação dos caretas aos novos tempos.

Na minha opinião, os filmes têm que ser visto com uma certa contextualização, de saber um pouco sobre o momento em que foi feito. Levando isso em consideração, é bem fácil perceber como esse filme revolucionou o modo como Hollywood fez cinema na década de 70.

Enfim, eu “comprei” o filme e realmente quis montar no meu garanhão de aço e dirigir em direção ao pôr do sol, Sem Destino.

Sem Destino [Easy Rider]
EUA – 1969
Diretor: Dennis Hopper                                       Roteiro: Peter Fonda, Dennis Hopper e Terry Southern
Atores: Peter Fonda [Wyatt “Capitão América”], Dennis Hopper [Billy], Jack Nicholson [George Hanson].
Sinopse: Após adquirirem autonomia financeira com uma venda de drogas, dois amigos motoqueiros decidem atravessar o sul dos EUA para conhecerem o Mardi Gras em Nova Orleans. Conforme avançam em direção ao leste, passam por comunas hippies em direção a cidades ultra-conservadoras.

O youtube não permitiu incorporar o trailer por solicitação dos donos do filme. Segue o link para vê-lo no youtube.

Caçadores de Emoção

26 set

Embora esteja muito atrasado para isso, acho que ainda vale a intenção de fazer uma homenagem ao Patrick. De todos os filmes que eu já assisti dele, esse eu acho que é o que eu mais gostei.

Caçadores de Emoção é uma filme que tem um argumento muito batido: policial recém-saído da academia se infiltra em uma possível gangue de ladrões de bancos para poder desmascará-los e prender a todos. No meio da história, ele se apaixona por uma menina do grupo e fica fascinado pelo líder da gangue, entrando em dúvidas quanto à sua lealdade.

Passado isso, eu lembro que na época me fascinou muito essa cultura surfista californiana, de viver pelo prazer e pela aventura. Você até consegue se identificar com os motivos do grupo para realizar os roubos. São pessoas más? Não, só vivem ao largo da sociedade.

Enfim, apesar das interpretações “marcantes” de Keanu “Bill e Ted” Reeves e de Gary Busey, o Patrick leva o filme nas costas e faz com que você também se renda à filosofia do carismático líder da tribo, Bodhi.

Não é o filme da minha vida, mas eu diria que é um filme que marcou bem a minha adolescência. Mais um na lista dos filmes despretensiosos que te conquistam.

Caçadores de Emoção [Point Break]
Japão/EUA – 1991
Diretor: Kathryn Bigelow                                       Roteiro: Rick King e W. Peter Iliff
Atores: Patrick Swayze [Bodhi], Keanu Reeves [Johnny Utah], Gary Busey [Pappas], Lori Petty [Tyler].
Sinopse: Policial recém-formado na academia se infiltra em uma tribo de surfistas californiano a fim de desbaratar gangue de assaltantes de bancos.

Ligeiramente Grávidos

27 ago

Este era um filme que eu achei que fosse da categoria “filme ruim, mas bom”. Mas me surpreendi com ele. É muito bom!

Eu não devia ter me surpreendido tanto, já que foi feito pelo mesmo pessoal que fez Virgem de 40 Anos, Superbad, entre outros. É um humor totalmente adulto, muitas vezes agressivo, mas de um senso de humor muito bom e com tiradas magníficas.

Os atores são todos os mesmos e meio que fazem uns personagens parecidos. É como se todos os filmes tivessem uma coerência entre si nos personagens dos atores. São todos nerds meio loosers no cio e que falam muito palavrão. Nesse filme, fora o protagonista, eles não se deram ao trabalho nem de dar nome aos personagens da trupe – todos levam os nomes dos próprios atores.

O único se destaca neste sentido – que eu me lembre agora – é o Seth Rogen. ele e o Steve Carrel, pra mim, são os melhore satores de comédia em muito tempo.

Neste filme, ele interpreta um nerd looser no cio e que fala muito palavrão que pega a fenomenal Katherine Heigl, a loira espetaculosa de Grey’s Anathomy, e tem um filho com ela. Eles decidem ter o bebê e precisam se conhecer para ver se podem continuar juntos.

Apesar de ser uma comédia romântica [a Katherine Heigl parece que só sabe fazer isso – quer ser a nova Meg Ryan], ela não é óbvia, não é cheia dos clichês, os personagens são bem construídos e há umas sacadas geniais no meio da história.

Ligeiramente Grávidos [Knocked Up]
EUA – 2007
Diretor e roteiro: Judd Apatow
Atores: Seth Rogen [Ben Stone], Katherine Heigl [Alison Scott], Paul Rudd [Pete], Leslie Mann [Debbie], Jason Segel [Jason], Jay Baruchel [Jay], Jonah Hill [Jonah], Martin Starr [Martin].
Sinopse: Depois de um “one night stand”, mulher em ascenção na carreira fica grávida e decide ter o filho. Ela busca seu co-autor no crime para que, juntos, se conheçam e se preparem para o filho. Mas será que pessoas tão diferentes podem [ou devem] mudar para poderem ficar juntas?

Albergue Espanhol

23 ago


Bom, não é a primeira vez que assisto a esse filme – e provavelmente não será a última. Mesmo assim, devo dizer que fui levemente envolvido na trama aos poucos como se fosse da primeira vez. Filme bom para mim é isso: atemporal e pronto para ser assistido quantas vezes forem desejadas.

É claro que, neste exato momento, há um tom de identificação nessa história de intercâmbio. Mas a história é bem contada, os personagens são cativantes e você não consegue deixar de torcer por eles. Então, não acho que seja apenas uma questão de momento, mas sim mérito do próprio filme.

A vantagem de ter voltado a assistir um mesmo filme é que você pode se focar nos detalhes da trama, dos personagens, da câmera – sei lá, nos detalhes. Então, dessa vez, prestei atenção ao ator principal, que tem uma cara meio que de deficiente mental às vezes, mas que faz você “comprar” sua história. Pude prestar atenção em Barcelona, como é fantástica essa cidade e como quero muito voltar lá algum dia. E tentei dar uma atenção especial a cada um dos integrantes do albergue – são muitos, mas cada um tem sua personalidade de acordo com seu país destacada de forma sutil mas efetiva.

Assim sendo, enquadro este filme na categoria das produções despretenciosas que pegam você de surpresa e te deixam “apaixonadinho” por ele. Não é o filme da minha vida, mas eu adoro assisti-lo como se fosse minha “sessão da tarde” particular.

Albergue Espanhol [L’Auberge Espagnole]
França – 2002
Diretor e roteiro: Cédric Klapisch
Atores: Romain Duris [Xavier], Judith Godrèche [Anne-Sophie], Audrey Tautou [Martine], Kelly Reilly [Wendy], Cécile De France [Isabelle], Cristina Brondo [Soledad], Federico D’Anna [Alessandro], Barnaby Metschurat [Tobias], Christian Pagh [Lars], Kevin Bishop [William].
Sinopse: Universitário francês decide passar um ano de intercâmbio de especialização em Barcelona. Em um país diferente, sem falar direito a língua e sem conhecer ninguém, ele divide um apartamento com outros universitários de toda a Europa e se descobre como pessoa.